O caos inevitável da organização

Quantos anos você tem? Segue pelas dezenas 20, 30 ou 40? Já foi picado pela ditadura padrão da realização acadêmica aos 20, da profissional aos 30 e da pessoal com carro e apartamento quitado até os 40?

A lógica do consumo é perversa. Formartar-se adequadamente ao sistema nos faz, parcelar, financiar e consignar nossas vidas. Vivemos numa realidade onde o bem viver, o sossego e a famigerada “paz” só pode ser alcançada se for amanhã; no futuro. Na minha leitura o próprio sistema glamouriza esse desenho pra gente seguir quietinho e largar um conformado: a vida é assim mesmo. Planejamos um trajeto que permita gozar de boa saúde, sombra e água fresca através de um processo que ironicamente ajuda na deterioração emocional e física deste indivíduo. Nisto, este mesmo ser ao enfim chegar na tal ‘idade da graça’ enfrenta problemas crônicos de saúde e um emocional exausto.

Quantas decisões você tomou hoje para ter certeza que a sua prateleira de “garantias futuras” se manterá intacta enquanto o seu presente declina? Quantos continuam em empregos ou cursos ruins; relações ou lugares tóxicos vivendo num fluxo inerte pelo porvir?

Eu vi um post do @abud.samir no Instagram, que me provocou à discorrer ao divagado acima, citando inclusive que a grande causa do sofrimento humano é resistir ao caos inevitável que organiza todas as coisas. Pessoas desesperadas tentando evitar algo ilusório a qualquer custo. Fugindo de fantasmas criados pelo inconsciente delas mesmas numa tentativa insana de defesa. E o que estamos fazendo pela gente agora? Te pergunto isso num misto de contemplação e euforia pelo que fiz por mim hoje. Efetuei uma viajem alone programada a poucos dias.

Assim lhe sugiro: decida pelo seu presente. Considerando a sua abordagem adjetiva, substantiva, o sentido figurado e literal da palavra. A contagem não para.

O texto não é unânime. Nenhum é. Existem pessoas que de tão suprimidas pelo sistema não possuem o privilégio de escolher. Precisamos organizar saídas.

Vale lembrar também que todo texto é uma provocação até para quem o escreve. Não é porque tá aqui ou acolá que o autor é o resolvidão do rolê. Mas as sobrevivências escritas podem possibilitar caminhos para as vivências. Por hora, se dedicar aos anseios da alma, me parece ser o terreno mais efetivo para fertilização de um longevo futuro. Correspondendo-a com o calor e afeto que merece. Sem se cobrar pelo passado, pois você pensa sempre com a cabeça de agora, e educando a renúncia, afinal, é a mudança que ativa as novas plasticidades.

Com o tempo você até percebe que muitas coisas super protegidas da sua prateleira sequer foram usadas. Perceberá até que aquele sonho nem lhe vestia mais e que não fazia sentido perseguí-lo. Por fim possa ver que ele nunca foi ao menos do seu número. Esse não é o problema desde que tenha decidido pelo seu presente com a consciência do caos inevitável da organização.

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